quinta-feira, 19 de março de 2009

O Punk brasileiro documentado!



Com algum atraso, finalmente consegui assistir ao documentário "BOTINADA" (Obrigadão Lu pelo toque!). Produzido e dirigido por Gastão Moreira (ex-VJ da MTV em seus primórdios) o filme traça um histórico sobre o punk no Brasil desde o meio dos anos 70 até o fim da primeira fase - meados dos 80.

As próprias bandas dão seus depoimentos hoje em dia reconstituindo o caminho trilhado e os impactos hoje. Foda demais ver Redson (Cólera), Ariel (Restos de Nada), Clemente (Inocentes - e autor das tiradas mais hilárias do filme), Fabio (Olho Seco) entre outros falando hoje em dia sobre o inicio das bandas, as trêtas, os shows, tudo.

Acabei de ver e tive certeza que este é um documento indispensável, não apenas para a "cena" (??) punk nacional, mas para todo o Rock brasileiro.
E que nós que fazemos punk rock, rock ou musica barulhente em geral, devemos as calças a neguinho que ralou muito antes.

O link pra vc ver o filme inteiro está aqui:



Na mesma linha documental, mas a nivel local, "PUNK MOLOTOV" acompanha a trajetória da pioneira banda punk carioca COQUETEL MOLOTOV, do inicio dos 80's, e acaba por traçar um breve panorama de toda uma cena da época - os locais de shows, a presença do skate na formação de um publico punk na época, as influências musicais e intelectuais da turma. Pra quem frequenta os picos underground hoje em dia é legal pra ver que em alguns casos, as coisas não mudaram tanto.

Você pode ver o documentário todo aqui:






E viva a bendita internet!

abraço

terça-feira, 17 de março de 2009

Underground, Rio de Janeiro e a cultura do V.I.P.

O Rio perdeu ha algumas décadas o posto de capital do país e, ha algum tempo vêm perdendo o posto de capital cultural para SP.

Entretanto, algumas práticas se mantêm enraizadas na alma da cidade. Uma delas é a cultura, em shows e eventos, do Very Important People, os VIP's. No Rio, a maior galera se sente importante, se sente no direito de não pagar porque é amigo de fulaninho ou ciclaninho, acha que merece entrar de graça em eventos seja porque é famoso, porque foi famoso, porque é amigo de politico, artista ou simplesmente porque têm a oportunidade.

Um evento emblemático foi o show do (maravilhoso) Jon Spencer Blues Explosion na cidade, em 2001, onde haviam mais VIP's que pagantes.

Dentro do underground (que ha algum tempo deixou de ser apenas um espaço de resistência ao hegemonicamente estabelecido), segue-se a tendência. Qualquer pessoa (como eu) que já tenha organizado shows de punk rock, hardcore e afins sabe que sempre - eu repito, SEMPRE - vai haver na porta alguem dizendo que é amigo da banda "x", que "tem certeza que se falar com o fulano ele libera a entrada" ou pior, entra no esquema que, pensei, estava falido do "malandro carioca": tenta dar "voltas" na pessoa da entrada. Saca, tipo "só vou olhar lá dentro pra ver se acho meu amigo e volto" ou "só quero usar o banheiro", etc - a velha lei do Gerson, do "levar vantagem em tudo, certo?". Isso quando o cara não entra no lugar do show e logo em seguida quer sair para consumir no bar mais próximo...e voltar pro show! Haja paciência. Sim, paciência porque em muitos casos, o bar é uma das poucas opções de retorno do evento ou da casa.

Mas o que está em jogo, ao menos dentro do underground? Está no foco que quase sempre, nestes eventos, não há lucro - ou quando há, são bem pequenos. Fazer um evento custa grana - espaço, equipamentos, divulgação - isso pra não falar das bandas que quase nunca recebem um centavo pra tocarem. E que para os eventos seguirem acontecendo dependem do apoio da tal "cena", ou seja: que o público colabore frequentando os shows (óbvio que não apenas desta maneira, mas também).

Entretanto, muita gente segue reclamando de pagar 3 Reais por um show com 4 ou 5 bandas. E cobra: "evento underground pô, vim prestigiar, mereço entrar de graça". Ok, uma coisa é faltar grana e você tentar o famoso "desenrolo": "pô camarada, tô apertado, dá pra pagar dois, um real, etc?". Outra é olhar para qualquer um que cobra por um show underground como um potencial explorador-futuro-magnata-da-industria-fonográfica-"capetalista"-filho-da-puta.

E o que está por trás - ou na cara disso? Que muita, mas muita gente se sente superior. Todo mundo, em algum momento, se sente VIP no Rio de Janeiro - e a cena underground não está livre disso. O senso de colaboração, cooperação, solidariedade e "brodagem" que sempre marcaram o underground vão se diluindo com o tempo.

Queria deixar claro que essa não é uma regra geral que se aplica a todo mundo - tem muita gente que rala, tem banda, promove a cena e, uma vez ou outra, circunstancialmente, merece sim uma reciprocidade de sua colaboração/ participação podendo entrar nos shows dos amigos/ parceiros sem pagar. Mas quando você fica na porta de um evento e grande parte do público reclama/ se nega/ a pagar, alguma coisa tá errada.

E assim cada vez mais os bons shows internacionais vão se afastando da cidade, e ficando restritos ao circuito SP-Curitiba. Uma pena. Para mim e para a maior galera.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Passei a(s) ultima(s) semana(s) ouvindo...INFADELS

Sabe quando tu dá aquela limpada geral no mp3 player pra renovar as musicas que escuta durante os longos trajetos pela cidade? Pois é, numa dessas me toquei que faz mais de um mês que estes ingleses estão lá, intactos em meio à bandas de hardcore e indie sem sair, sempre sendo escutados, as musicas cada vez mais íntimas deste escriba.
O Infadels é um quinteto inglês de levada eletrônica mas sem ser exatamente um grupo eletrônico. É rock, indie rock, mas com sotaque de chemical brothers e Moby. Mas láá no fundinho mesmo...eles mesmos se definem como "we are a song and dance band".

O unico disco deles que tenho, o "we are not the Infadels" é um desfile de musicas que te pagam pelo ouvido como chiclete. Algumas agitadas, outras mais cadenciadas, mas todas perfeitas para dar aquela sensação de tranquilidade dentro de um ônibus 158 cheio voltando de trabalho pra casa.



domingo, 1 de março de 2009

Ele é Carioca...

A febre e os 4 dias de cama quase me faziam esquecer que hoje o Rio faz aniversário. Minha cidade, onde me sinto literalmente em casa, onde fiz minha vida, minhas amizades, onde vivo e respiro ser carioca. Não sou do tipo ufanista, mas confesso que também não troco o Rio por outra cidade do Brasil - vide a foto, tirada da janela de casa, que só no Rio é possivel ter.

E se pra maioria a cidade lembra funk e samba, resolvi eleger um top 5 de bandas que, para mim, são a expressão da alma carioca. Saca aí e mande as suas também!

- MC's HC - Hardcore com batidão, dois Mc's e duas dançarinas/ cantoras, letras sacanas mas com aquela inteligência e sarcasmo tipicas do subúrbio. Esta galera do Irajá é uma das minhas bandas preferidas da cidade e representa muito!

- Ataque periférico - hardcore power violence com letras que cospem fogo sem deixar de ser o tempo todo irônicas. Além de tudo, uma das poucas bandas 100% rubro negras da cidade. O Ataque me lembra Vila Aliança, me lembra zona Oeste.

- Los Djangos - eles foram a melhor banda de ska dos 90's e hoje seguem firmes mais na linha do dub, mas sempre com aquelas letras que falam de São Jorge, do campo de santana, do ultimo ônibus da madrugada ou de qualquer outra situação ou lugar que qualquer outro carioca já vivenciou.

- Coquetel Acapulco - a atual melhor banda de ska da cidade tem a manha totalmente carioca de cantar marchinha em ritmo jamaicano, de sacar letras bem humoradas sobre situações tragicômicas, de rir de si mesmo. Mais carioca impossível.

- Carbona - o punk rock carioca me lembra de cara Henrique, Bodão e Melvin. Desde as musicas sobre o Tivoli Park (atire a primeira pedra quem foi criança da zona sul dos 80's e nunca foi ao parque da lagoa), sobre o baixo gávea, sobre o empório. E o Carbona em lembra isso: BG, Ipanema, Botafogo.

Claro que privilegiei bandas ainda na ativa. Apenas por isso deixei de fora 3 bandas carioquíssimas pra mim: Planet Hemp, Funk Fuckers e Poindexter, todas finadas da virada do século.

Parabens Rio de Janeiro!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Too Tough to Die: a tribute to Jonnhy Ramone


Meu camarada Marcelo chega de Londres e traz na bagagem este belo presente. Um DVD em tributo ao guitarrista da maior banda de todos os tempos (Valeu Marcelinho!).

Trata-se de um show em comemoração aos 30 anos de formação do RAMONES, gravado em 2004 em L.A. Até aí a coisa toda seria apenas um tributo comum, não fosse o fato que dois dias depois do show, Jonnhy veio a falecer.

Assim, as entrevistas e relatos que intercalam as apresentações são focadas em Jonnhy, e na história da banda com cada um dos convidados. E aí vem toneladas de histórias recheadas de admiração e babação de ovo de gente como Henry Rollins, Red Hot Chilli Peppers e Rob Zombie falando sobre a importância dos RAMONES para suas vidas e para a musica em geral.


Quanto ao show...meu amigo, fiquei um pouco desconfiado com o line up no início, mas queimei a lingua bonito. Trata-se de um showzaço, com um senhor set list, com cada banda tocando entre 2 e 4 musicas do fab 4 de NYC. E tome Dickies, Red Hot Chilli Peppers, Joan Jet, X e uma banda que mescla CJ E Marky Ramone junto a Tim Armstrong (Rancid), Steve Jones (Sex Pistols), Daniel Ray (produtor de "brain drain" entre outros discos do RAMONES), Henrry Rollins, Brett Gurevitz (Bad Religion), Eddie Vedder e Rob Zombie.

Destaque para a cena em que, no meio do show, Rob Zombie saca o celular, pede silencio a todos e liga para Jonnhy. Ele coloca o cara pra falar no microfone e a galera começa a urrar "Hey, Ho! Let's Go!". E o bom e velho Jonnnhy (que não foi ao show por já estar adoentado no dia), apenas diz ao telefone: "até mais Rob", e DESLIGA na cara dele!!

Ao final todos falam da morte do cara e aparece algo que nem eu sabia: a inauguração de uma estátua de Jonnhy em L.A., em uma cerimônia chei a de figuras do punk rock e um discurso emocionado de Eddie Vedder e CJ.

Para os Ramonemaníacos como eu, mais que perfeito!

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Argentina punk rock!

Attaque 77

Esta semana voltei a escutar Attaque 77 depois de um bom tempo. Graças a isso, acabei entupindo o MP3 player esta semana de bandas de punk rock argentinas. E como os hermanos produzem bandas de qualidade. Enfim, em um país em que os RAMONES são reis e a cada quadra vc encontra uma camisa do Misfits, não era de estranhar.
Uma das bandas que escutei sem parar foi o 2 MINUTOS. Formado nos anos 90, a banda tem um séquito de seguidores com um punk rock simples e setenteiro. As letras seguem a linha street punk mas com extremo bom humor. E eles tem uma versão em espanhol para "I turned into a martian" do Misfits que é hilária!
2 Minutos

Na linha "ramônica" de tocar punk rock chegamos ao EXPULSADOS, uma das minhas bandas preferidas. Em minha primeira passagem pela capital portenha me deparei com a capa de um cd deles em uma loja, idêntica a do "rocket to Russia", e na hora saquei que era coisa boa. E não me arrependi. resumindo, é Ramones em espanhol - no som, nas temáticas, nas roupas e visual. Bola certa!

Saindo um pouco dos seguidores de Joey & cia, chegamos ao CADENA PERPÉTUA, uma banda de punk/ hc muito popular e com muitos seguidores na terra de Don Diego. Eles tem um perfil mais politizado, com um HC mais na linha de bandas da verlha guarda americana - Adolescents, Minor Threat - e com uma pitada de melodia. Tenho dois Cds deles - "malas costumbres" e "demasiada intimidad" que são o fino, daqueles que vc escuta de ponta a ponta feliz!

De volta a linha mais tradicional do punk rock, os stret punkers do DOBLE FUERZA comemoram 20 anos de atividade como uma das bandas mais populares da Argentina. Suas letras são mais divertidas e falam do cotidiano - cerveja, brigas, mulheres - e o visual é totalmente "ramõnico". Já passaram pelo Brasil e quando voltarem, vale o confere.
Na linha do HC, não dá pra falar de Argentina e não citar o mais-que-popular-internacionalmente FUN PEOPLE! Tive a chance de vê-los em 2000 abrindo o show do Lag Wagon em Bh e fiquei de cara! Hardcore criativo, com quebradas e presença de palco intensa do vocalista Nekro. Pois com o fim da banda, o cara resolve criar uma banda tão boa ou melhor, e nós ganhamos o BOOM BOOM KID, que já vi ao vivo duas vezes, ambas inesquecíveis. O BBK é mais "emo"cional, mas sem cair em pieguices e letras pasmaceiras - tratando de temas introspectivos com inteligencia e com um instrumental mais elaborado, mas super pesado.

Ainda no HC, o OTRA SALIDA é o grande representante da vertente NYHC da terra portenha. Um som pesado, com cadência de metal, levadas thrasheiras e aqueles vocais em coro bem ao estilo de Agnostic Front (aliás, eles tocaram aqui no Rio em 2005 abrindo para o Agnostic).
E depois de olhar estas bandas que povoaram meu MP3 player esta semana, chego de volta aos causadores de toda esta invasão portenha: ATTAQUE 77! Talvez uma das bandas mais populares da Argentina, eles já deixaram ha muito tempo os palcos do underground para cairem no mainstream com seu punk rock politizado e totalmente, como diz o nome, 77. Engraçado notar que eles são, hoje, uma das bandas mais populares da America Latina, mesmo sendo uma banda punk, mas que quanbdo estiveram no Brasil em 2001, tocaram no "berço" undergroud carioca, o Garage. De qualquer maneira, é uma daquels bandas que você escuta e na segunda audição já está cantando o refrão junto.
este foi apenas um mínimo panorama sobre a cena punk/HC portenha. A Argentina é um berço de bandas maravilhosas que, infelizmente, ainda chegam de maneira restrita a nossos ouvidos. Mas corra atrás no bendito soulseek que vale a pena!!
Por que te vás?

Expulsados

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Passei a semana escutando...THE QUAKES!


O Psychobilly é um gênero que, à margem de modismos e "hypes", se mantêm firme, com fãs fiéis ao estilo e bandas que perpetuam a musica aceleradas, com baixo acustico e batera minimalista - o estilo "rocker" de ser.

E uma das minhas bandas preferidas do estilo são estes americanos de Bufallo, THE QUAKES! Formada em 1986, a banda tem uma vasta discografia e mantêm uma boa regularidade de lançamentos. A ultima coisa que escutei deles foi o album PSYOPS, de 2006, que é lindo. Mas meu preferido é o "Pack our bags and go!".

engraçado foi que descobri a banda graças a uma versão gravada por eles de "Killing moon", do Echo and the Bunnymen. E dali em diante, viciei na banda.


diversão garantida!
você pode escuta-los em www.myspace.com/thequakes