quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Top 5 shows do ano

E seguindo nas listas, quais foram os seus melhores shows de 2009? Indie.punk.pop foi a alguns ótimos este ano, mas cumpre com a dificil tarefa de eleger os 5 melhores que viu no ano do hexa!

- Samiam (Drinkeria Maldita de Copa - RJ)
Em um lugar pequeno, com palco baixo, o SAMIAM fez um show com uma energia e interação com o público como ha muito não via! Sintonia perfeita em um show inesquecível!



- Sonic Youth (Festival Planeta Terra - SP)
Embaixo de um toró de Noé, o SY fez um show baseado em seu novo disco "the eternal" e mostrou quem ainda dá as cartas no rock indie mundial!



- Gogol Bordello (Fundição Progresso - RJ)
Poucos shows no mundo hoje são tão energéticos, intensos e agitados quanto o do combo cigano de NY. Saí de alma lavada e corpo suado! Fantástico!

foto by Ihateflash.net

- Slim Jim Phantom (Estrela da Lapa - RJ)
O ex-batera do STRAY CATS desfilou sucessos de sua ex-banda e clássicos do rockabilly em uma noite memorável.


- Friendly Fires (Circo voador)
É hype, é efeméride, mas o baile que o FF promoveu no circo voador não passou em branco e merece destaque. Um show arrasa-quarteirão que fez todo mundo dançar como se não houvesse amanhã.



Impossível não citar o Down By Law no circo voador e o show do Expulsados que vi em Bs As, que por muito pouco não entraram na lista.
E você? Quais seus shows prediletos do ano que está acabando?
E preparem-se, que em 2010 tem SOCIAL DISTORTION (m-o-r-r-i), NO FUN AT ALL, GOSSIP...

Feliz 2010!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Show Barneys + Beach Lizards + Carbona: O underground carioca presta contas de uma geração


O ano é 1992. O lugar é o Lua-Estrela, um pico meio boite em Botafogo, zona sul do Rio, onde rolavam shows underground - principalmente domingueiras Metaaaaaal! A banda que tocaria naquela noite se chamava Beach Lizards e fazia um som bem Buzzcocks/ Damned, punk 77 com pitadas de sonic youth e afins. O batera carismático foi o que me chamou a atenção. Dali em diante veria algumas dezenas de shows deles, que virariam referência na cena underground carioca dos 90's, influenciando varias bandas que nasceram depois, entre elas o hardcore melódico ala Bad Religion do BARNEYS.

Corta a cena: 17 anos depois eu e mais uma centena de balzacos estamos reunidos no Cinematheque para ver, de novo, o Beach Lizards, acompanhados daqueles (outrora) meninos do Barneys e dos "local-heroes" CARBONA.

O show, antes de mais nada, foi um encontro de amigos, uma celebração de uma geração do rock carioca! Vi rostos que não via ha anos, quase uma década. Encontrei dezenas de amigos das antigas, hoje senhores de familia com menos cabelos ou mais barriga, mas todos felizes em reencontrar uma galera que circulava pelo Lua Estrela, pela Basement, pelo Garage, enfim, que fazia a cena carioca daquela década.

O Carbona abriu os trabalhos com som alto e um pouco embolado. Mas mandaram bem como sempre em um show redondinho e sem firulas, mesmo com a corda da guitarra do Henrique arrebentando na segunda musica. A surpresa da noite foi um trecho de 5 musicas da fase em inglês - "foot fetish" (que vc pode ver aqui), "if you wanna dance", "all my friends are falling in love", "macarroni girl" e "lollypop Lemondrops".

Em seguida o Beach Lizards entra em cena. E o entrosamento da banda depois de tantos anos é de cair o queixo - Nervoso (aquele batera carismatico do inicio do texto) estava possuido e destruía a bateria.
Fiquei impressionado como, sem ouvi-los ou ter nenhuma MP3 da banda em meu PC, conseguia cantar quase todas as musicas, que vinham a cabeça rapidamente ao som dos primeiros acordes. Clássicos dos 90's como "come back home", "Friction" (que você pode ver um trecho aqui) e "Anesthesia" foram tocadas e cantadas em uníssono por uma plateia old school claramente feliz com esse reencontro. E foi dentrod o show dos lagartos o grande momento da noite: o vocal Demetrius chama "o grande amor da vida" ao palco para tocar "sexy lenore", musica da banda Dash, na bateria. E era ninguem menos que seu filho de 11 anos que DESTRUIU na bateria! Me chamem de piegas, mas fiquei emocionadão - velha e nova geração em harmonia, fazendo musica juntos, vivendo juntos um encontro unico.

Final do show dos lagartos, e logo os heróis cariocas do hardcore melódico dos 90's entra em cena. E o show do Barneys foi simplesmente catártico! TODA - eu disse TODA - a platéia cantando a maioria das musicas, que se mostraram atemporais, verdadeiros hinos de uma época do underground carioca. Você pode ver um trechinho da clássica "I Know" aqui.


Ao final muita gente ficou trocando ideia, curtindo os amigos antigos, conversando sobre a vida, sobre o que cada um de nós fez da sua, sobre musica. Um reencontro desses que lava a alma e foi, ao menos para mim, uma verdadeira prestação de contas de toda uma geração do under carioca com a nova geração. Aqui estamos nós, e nossa musica segue atemporal, boa, viva.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Top 5 discos do ano

O final do ano sempre é tempo de listas e mais listas. Normalmente não servem pra muita coisa, a não ser apimentar papos de boteco. Por isso mesmo, por amar musica e um boteco, indie.punk.pop apresenta seu top 5 dos discos do ano! Veja, palpite, comente e diga aí: quais seus discos preferidos do ano que está acabando?



- Years of refusal - Morrissey
O bom e velho Moz sacou da manga mais um disco impecável, com aquelas letras que parecem ter sido escritas para você em algum papo de boteco. De quebra, ainda emplacou a mais bela melodia melancólica do ano, "you were good in your time"



- Life and times - Bob Mould
Nosso herói indie emplacou o terceiro discaço em 3 anos! Em grande forma, Bob compos mais um album guitarreiro com letras hora doces, hora ásperas com aquele toque especial!



- Leaves in the gutter - Superchunk
E depois de alguns anos sem nada novo, meus ícones guitar aparecem em Janeiro com um EP que emplacou simplesmente a melhor canão do ano, "learned to surf", alem de 3 canções impecáveis e uma versão acustica da supracitada musica! Lançaram outro brilhante EP em Junho, "crossed wires" nos deixando com ainda mais vontade de reve-los por terras brazilis.



- Jello Biafra and the Guantanamo School of Medicine - "The Audacity of hype"
Depois de anos gravando com bandas experimentais e lançando os famosos spoken CD's (discos de discursos politicos longos, mais de 3 horas), o lendário vocalista do Dead Kennedys volta com uma nova banda fazendo aquilo que o consagrou como um dos maiores frontmans da historia do punk: hardcore direto, objetivo, sem firualas com letras que SÓ Jello sabe fazer: irônicas, sarcásticas, agressivas! A grande surpresa do ano e um presente pra qualquer fã de punk old school - como este escriba.




- Retrato de un cazador - Expulsados
E vêm da Argentina o disco de punk rock preferido de indie.punk.pop de 2009. O Expulsados resurge com um discaço de punk rock "ramônico", mas desta vez com letras mais elaboradas e melodias que grudam na cabeça feito chiclete por semanas. Pop até o talo, mas com personalidade. E indie.punk.pop teve a chance de vê-los ao vivo este ano e conferiu: ao vivo é ainda melhor! Discaço!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

SAMIAM: perfeito até debaixo d'água! (show do ano??!!)


Rio de Janeiro, 10 de Dezembro, 9 da noite, estacionei meu jet ski em frente a Drinkeria Maldita de Copacabana enquanto Noé passava pela rua com a arca recolhendo animais.
É moleque, a chuva (ou dilúvio? Ou toró?) que caiu ontem no Rio não foi brinquedo não....mesmo assim uma centena de heróis da água saíram de casa e foram até a Drinkeria para ver um dos ícones da cena post hardcore (ou emo roots??) americana tocar em um unico show na cidade. Depois de 7 anos, o SAMIAM voltava ao Rio.

Muito amigos, galera que não via ha algum tempo, cervejinha e aquele clima de bar de amigos da Drinkeria. E as 10:30, Jason, Sergie, Billy, Johnny e Sean subiram ao palco. Quer dizer, Sean desceu, pois tocou sua guitarra no chão, junto do público.


E foi justamente essa a tônica do incrível show da banda: proximidade, quase intimidade com o público, sintonia absoluta entre banda e galera, todos cantando juntos, brincando juntos, se divertindo juntos. "fun, FUUN" como me disse o vocalista Jason depois do show.

O set list foi quase o mesmo que tocaram em SP, com algumas modificações na ordem: começaram com "Take care" (com o vocal muuuuito baixo, o que foi resolvido ao final da musica apenas), "when we're togheter" e "Mexico" (que você vê um trechinho aqui). A essa altura, a galera começava a agitar mais e alguns mais animados arriscavam stage dives do palco de meio metro da casa. Mas o clima era tão tranquilo que dava pra ver cada musica de um lugar da casa, ir ao bar buscar uma cerveja e voltar pra frente do palco, colado ao Sergie ou ao Jason. Seguiram por cerca de uma hora com um desfile de clássicos dos 90's como"capsized", "mud hill" (trecho da musica aqui), "Full on", "Factory", "Bad day" e encerraram o baile com "Dull" e "Sunshine". E a galera agitando, e Jason dando goles de cerveja e tragos de whisky pro povo que ficava na frente do palco e, ao final, público e banda felizes!


Saio da Drinkeria pra pegar minha lancha de volta pra casa com a certeza de ter visto um fortísimo candidato a show do ano e com a convicção de que as vezes um esforcinho de uns - no caso, a galera da Drinkeria - pode proporcionar shows gringos lindos pela cidade! É só a galera comparecer - como fez ontem apesar de todo o toró de Noé que caiu - e fortalecer!

SAM-I-AM!

sábado, 14 de novembro de 2009

Indie Festival 2009 foi uma festa cigana!


Ia postar um textinho clássico sobre o Indie Fest ontem na Fundição Progresso: sobre a surpresa de ver o excelente show do El Mató un policial motorizado (O Flaming Lips portenho), sobre a viagem sensorial que é o show do Super Furry Animals... mas tudo isso ficou obscurecido pelas dores pelo corpo que me lembraram de uma coisa: GOGOL BORDELLO é o show mais hardcore que vi nos ultimos anos, e tenho dito! Alto, insano, inconsequente, imprevisível e agitado como muitos shows de punk rock e hardcore deixaram de ser! Uma aula! F-O-D-A!!

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Planeta Terra 2009: brincando na chuva.


Pra começo de conversa, isso aqui não é resenha ok? Não tem técnica, imparcialidade nem compromisso com descrição fiel de fatos. É um texto de um viciado por rock sobre um festival para viciados em rock

O Planeta Terra 2009, festival dos mais bacanas que rolam por essas plagas, aconteceu este ano no Playcenter, com uma escalação de alto nível.

Me planejei para chegar no Playcenter no inicio do Maximo Park. Amigos meus falaram que o show do Moveis Coloniais de Acaju foi incendiário - coisa que não é surpresa pra quem conhece os candangos. Com um sol bonitaço no céu, o Maximo Park inicia com uma pontualidade irritante seu show. E foi uma hora de indie pop do melhor. A banda centrou fogo nos álbuns "a certain Trigger" e "our earthly pleasure" e fez um show redondinho, com a galera na mão e cantando a maior parte das musicas. Confesso que tava muuito afim de vê-los e, fora a performace exagerada do tecladista e do vocalista (meio "Dinho Ouro preto" segundo um amigo meu), superaram minhas expectativas. Ainda mais fechando o show com "Girls who play guitars", minha preferida.

Maximo Park

Em seguida no palco principal veio o Primal Scream. Acho uma bosta - é isso mesmo, chato pra caralho - e preferi ir brincar pelo Playcenter. A caminho dos brinquedos passamos pelo palco indie onde o Copacabana Club incendiava a galera com seu electro-rock.

Depois de 3 brinquedos e muito enjôo, voltamos para o palco principal onde já havia uma aglomeração maior que o normal perto da grade. Era a hora dos donos da noite - ao menos para mim. E o SONIC YOUTH entrou metendo a pica com "no way" e fazendo bater mais forte o coração deste balzaco. Foi o terceiro show que vi deles, mas nem a chuve forte que caiu interruptamente durante toda a hora e meia de som alto e distorcido atrapalhou a festa. O set foi baseado no novo disco "The Eternal" (que, diga-se de passagem, é o melhor album do SY nos ultimos 15 anos) e quase o mesmo que eles vêm executando pela tour européia. Fiquei emocionadão de escutar "Cross the Breeze", musica do clássico "Daydream Nation" pela primeira vez ao vivo. E mais ainda vendo minha musa-eterna Kim Gordon dançando em "Antenna". Show foda, lindo, de chorar e ponto. O Sonic Youth consegue sobreviver no mundo rock fazendo aquilo que é o básico, mas que muitas bandas hoje parecem esquecer em meio a visuais e produções: belas melodias com muito peso e barulho. Simples e complexo. Simples para eles, que ha quase 30 anos fazem isso como ninguem.

Morto de cansado e molhado feito pinto pela chuva, ainda corro para o palco indie onde o TING TINGS iria começar seu show. E o inicio com "We Walk" foi simplesmente arrebatador. Todo mundo pulando na chuva, e a sequência "Great DJ" e "Fruit Machine" me fez esquecer completamente o cansaço e dançar como se estivesse em umapista de dança. A mistura de rock com musica eletrônica do duo é foda ao vivo, mesmo que com algumas bases pré-gravadas, que acvabam dando em alguns momentos uma cara de "playback" a algumas partes do show.
Infelizmente tive que sair fora antes do meio do show deles, e fico devendo uma segunda chance com o Ting Tings que fez o meu album predileto de 2008.

Saindo ainda vejo um pedacinho do show do velho iguana Iggy Pop, que pelo que me disseram foi excelente pero não tão bom quanto o de 2005, no festival Claro que é Rock - que vi e afirmo: foi inesquecível.

O Planeta Terra segue como o melhor festival brasileiro de musica indie. E infelizmente neste ano, caiu no memso dia do Maquinária, que é o melhor festival de musica pesada, me fazendo perder o show do Faith No More. Mas, voltando para o Rio, no aeroporto de Congonhas, encontrei um amigo que me disse que o show do FNM foi foda! Confira na foto abaixo.

domingo, 18 de outubro de 2009

Los Grillos + Expulsados + Beach Breakers (Roxy Live Bar - Buenos Aires)

Como você já leu aqui neste blog sempre tive grande apreço pelo punk rock feito na terra de los hermanos.

Por isso quando, caminhando pela Bond Street (um tipo de galeria do Rock de Buenos Aires) ,vi um flyer de um show do Expulsados, logo me animei em conferir a banda, uma das minhas preferidas de punk rock na America Do sul.

O lugar era o Roxy live bar, em Palermo, um dos bairros mais "quentes" da noite portenha. A casa impressiona, bar na frente, e a parte de shows no fundo, separada do bar (ou seja, vc pode ir apenas para beber e não apenas para ver o show). A parte de shows é um espaço mais ou menos do tamanho do Teatro Odisseia, e beeem legal.

Cheguei as 21:00 (hora anunciada para o show), comprei uma Quilmes e 20 minutos depois a primeira banda adentra o palco. O Beach Breakers é um quarteto de surf music instrumental beeeeem bacana, com uniformes alá Pazuzus (banda carioca de surf). Começam o show com uma versão surf de "wave", do Tom Jobim. A banda é afiadíssima e o som muito bom. Os dois guitarristas trocam de instrumentos entre si de acordo com o que cada um vai fazer em deteerminada musica (solar ou fazer a base). Mandam um set de 30 minutos e saem do palco me deixando com uma belíssima impressão da banda.

Beach Breakers

Um rolezinho, mais uma Quilmes e com uma rapidez impressionante para a troca de palco os Expulsados entram em cena. E fiquei muito feliz em vê-los ao vivo, mesmo desfalcados de seu baixista,que saiu da banda (o vocalista Sebastian assumiu temporariamente o baixo). A banda manda aquele punk rock "ramônico" alto e emendado (é 1,2,3,4 e tome porrada!). Algumas de minhas preferidas como "sombras chinas", "esperando te en Martes" e a maravilhosa "nada cambió my amor" estiveram presentes no set curto, de menos de 30 minutos da banda. Eles agradecem a Los Grillos, a banda principal da noite, pelo convite e pela amizade e ao final converso um tempo com Sebastian sobre a cena portenha, Brasil e outras coisas. Gente finíssima o rapaz.

Expulsados

Mais uma Quilmes (a quinta, acho) e também muito rapido os Los Grillos sobem ao palco. Parecem ser muito populares por lá, pois o público é bem maior para sua apresentação. O trio é muito bom, mandam um rockão proto-punk, com cara de Stooges e Forgotten boys e apresentam musicas de seu novo CD "nascidos para rockear" (que ganhei na entrada com o ingresso e digo: é excelente!!).

Los Grillos

O set deles é mais longo e todos acompanham cantando as musicas (apesar de quase todo o publico permanecer sentado nas mesas - em todos os shows!). Ao final mandam uma musica instrumental com pegada meio hard rock e se despedem descendo direto do palco para a plateia, para beber e conversar com os amigos.
Saio pela noite fria de Buenos Aires antes da meia noite em direção do metrô, com uma ultima Quilmes na mão e um sorriso no rosto. Belíssimo show!