sexta-feira, 18 de junho de 2010

Teenage Fanclub - "Shadows" (2010)



E os príncipes da melancolia de Glasgow atacam de novo, depois de muitos anos de hiberbação. O Teenage Fanclub é uma banda fundamental, daquelas que fizeram toda a diferença nos anos 90's e marcaram sua presença no coração indie mundo afora. Sua combinação de guitarras limpas, vocais dobrados suaves e cozinha minimalista reaparece em "Shadows", nos presenteando com um pouco mais de beleza neste tardio final de década.

A primeira musica já é forte candidata a hit indie dos anos 2000: "Sometimes I don't need to believe in anything" traz uma guitarra de intro que fica na cabeça por semanas, apenas dois acordes, mas que com uma marcação simples de bateria e baixo e vocais dobradinhos e sussurados fazem da canção uma senhora carta de apresentação. O disco segue com as excelentes "baby Lee" e "the fall", uma letra tipicamente "teenagiana": melancólica mas com senso de humor. E o CD segue com aquelas musicas que dão vontade de botar a(o) namorada(o) no colo, abrir uma garrafa de vinho e curtir um final de tarde.

O disco é todo uniforme, bom da primeira a 12° e última faixa, sem grandes oscilações. Mas além de "sometimes I don't need...", deixar de destacar "I still have Thee" seria criminoso: uma canção pop que mataria de inveja Brian Wilson e os Beach Boys (ou, provavelmente, os encheria de orgulho).

O Teenage Fanclub saiu de sua hibernação pra presentear o mundo com mais uma pérola indie-pop, coisa que eles sempre fizeram como ninguem! E que saudade do show que vi deles em Curitiba, em 2004...

domingo, 13 de junho de 2010

O rock ontem, hoje e sempre: Richie Ramone (Rock'n'Drinks) e MEN (Circo Voador)




Sábado a noite tive a rara achance de estar em 2 shows com climas completamente diferentes, com publicos completamente distintos e com sensações diferentes mas com algumas aproximações entre si. E isso me ajudou a refletir um pouco sobre musica, som, vida. Os shows foram de Richie Ramone e do MEN.

As 9:00 da noite cheguei na melhor casa do Rio hoje, a Rock'n'Drinks, para ver um dos últimos caras que tem a honra de usar o sobrenome "Ramone", Richie, batera que gravou 3 albuns e permaneceu 5 anos na banda. Ele tocaria nesta noite na casa de Copacabana com o irmão de Joey Ramone, Mikey e uma banda de apoio, "Comando".

Casa entupida de tanta gente, metade balzaquianos que tiveram nos RAMONES sua fonte de libertação na vida, metade jovens que nunca haviam visto um dos felizardos membros do grupos vivos e ao vivo. E essa diversidade que deu a tônica do show.

Entre balzacos sentimentais e jovens eufóricos, Richie e Mickey desfilaram clássicos da, talvez, última grande banda do rock mundial (ok, Nirvana para mim não entra nessa definição, certo?). E tome "rockway beach", "sheena is a punk rocker" e outros classicos, em meio à musicas da fase de Richie, como a linda "somebody put something in my Drink" e a supreendente "Outsider". Nas 4 primeiras musicas Richie canta e depois assume a bateria enquanto Mikey toma conta dos vocais. O público literalmente enlouquece com todos os sons, mesmo os mau executados, com um claro desencontro entre a banda e os dois ramônicos (é bem provável que não tenham tido, de fato, tempo para ensaiar juntos antes do show). Mickey canta algumas musicas do album "don't worry about me" do Joey Ramone. E ao final fica claro que uma banda com a importância e pregnância dos RAMONES deixam sempre uma lacuna, uma carência entre os fãs. E momentos como estes transcendem, são uma grande celebração da historia do rock, uma celebração dos 3 acordes - mesmo apresentando um ou outro probleminha do ponto de vista puramente musical - mas, who cares??

Feliz da vida, saio voando da Rock'n'Drinks para o Circo Voador, onde rolaria o mini-festival Popload Gig 3, com shows das norte americanas Girls, do combo MEN e dos capixabas do Zémaria. Saio de uma celebração dos anos 70 e do rock passado e entro em um encontro do rock de hoje e amanhã.

O GIRLS abre os trabalhos em um circo voador beeeeem vazio. O som é indie, mas com um dado importante, que os diferencia das dezenas de bandas do gênero: É chato. Pra caralho. Se fosse em um palco menor, com menos pessoas, talvez sua mistura de My Bloody Valentine requentado com Teenage Fanclub de quinta tivesse até segurado a atenção. Mas no Circo foi, apenas, cansativo.

Entretanto, em seguida, um power trio da nova geração botaria o Circo Voador abaixo!! O MEN é um grupo que representa bem o que é a boa música de hoje: Alta, anárquica, sem regras e sem fronteiras - sem seguir nenhum modelo pré concebido. Um(a) Dj com sintetizador e duas guitarras colocaram o circo inteiro para dançar ao som do melhor eletro punk que existe, algo inimaginável para os fãs de Ramones ha 20 anos atrás: musica eletrônica energética e com alma, com vida!! Para muitos, essa mistura de dance "não é rock", "é musica de pista de dança" e outros clichês. Mas quando nos despimos dos preconceitos, o que sobra é apenas uma puta banda tocando musica para agitar, pra dançar sim, mas com mais atitude e energia que 99% das bandinhas poppy-punk de hoje!


Formada por remanescentes da clássica LE TIGRE, o MEN é um trio de rock tocando dance que faz até mortos sairem das tumbdas para dancarem suas musicas agitadas e cheias de texturas de guitarras pra lá de criativas! o Show é curto, mas vai crescendo com a vocalista JD (que parece um nerd de bermudas largas) dominando a cena acompanhada pela guitarra Ginger (uma Bjork Dyke) e pelo discreto guitarrista Michael.
ao final do show, o circo inteiro se torna uma grande pista de dança, com todo mundo agitando como se não houvesse amanhã.
Mas há. E o amanhã atende pela alcunha de MEN! Um showzaço! Que mostra que enquanto houverem jovens criativos e com espírito livre, o rock seguirá vivo - mudando, com novas caras e roupagens, mas vivo! e alto!
Link: http://www.myspace.com/men

sábado, 5 de junho de 2010

Passei a semana escutando...Bombay Bicycle Club


E o Outono chega e com ele aquele clima plumbeo, por vezes cinzento, que descaracteriza a cidade dita maravilhosa de seu padrã sol-calor-azul. E com o Outono, muda a trilha sonora. E poucas tem sido mais presentes nos ultimos dias em meu MP3 player quanto estes ingleses do Bombay Bicycle Club!
Criada no meio da década em Londres, o quarteto desfila canções indie folk em bases hora eletrônicas, hora rock, com uma pegada pop inconfundível: refrões assobiáveis e letras leves.
Seu primeiro disco I Had the Blues But I Shook Them Loose é uma pérola pop do final da década e alegra qualquer dia de Outono, em qualquer cidade do mundo!
Bombay bombando!

sábado, 22 de maio de 2010

Cat Power (Circo Voador). 21/05/2010



E Cat Power mais uma vez esteve entre nós.
Um show de Cat Power não é puro agito, animação em estado máximo. Também não é cool, com caras e bocas e olhar blasé - aliás, mal dá pra ver sua cara abaixo daquela franja bisonha.
O show é lento, slow, quase lisérgico. A banda, minimalista. Um teclado/ piano e um guitarrista, quase o tempo todo com o Wha-Wha ou tremolo ligados. e só. Em poucas musicas - umas 4 - um batera aparece com aquela escovinha, apenas para marcar o ritmo.
O show da gata não é sexo selvagem e efêmero, daqueles que se faz com puta ou com uma mulher qualquer que se agarrou na noite de ontem. É sexo sem senso de urgência, de quem desfruta cada momento do acontecimento.
Assim, dessa maneira prazerosa, ela vai desfilando canções suaves, doces, mas com uma voz que empresta uma profunda melancolia a cada nota, magnetizando um circo voador quase lotado. Seu timbre em alguns momentos me lembrou o de Beth Gibbons e, em outros, seu vozeirão blueseiro dá as caras.
a platéia se entrega, acompanha com palmas, dá presentes. Cat Power os recebe com sorrisos, chega a abrir um deles no meio da musica, se sente claramente confortável e feliz por estar ali, em um palco pequeno, em uma relação intimista com seus fãs.
O final do show, com distribuição de flores "ala" Roberto Carlos, encerra um concerto, um momento de beleza. É leitor indie ou punk, beleza, ternura, coisas que a musica as vezes se esquece de ser ou viver. E que Cat Power domina como poucos.
Dormi muito, mas muito bem ontem.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Orange County é aqui (ou, um final de semana de sonho)


Eu ia escrever uma resenhazinha, cheia de detalhes, comentários, mas ontem a noite ao ir dormir eu só pensava: "POTAQUEOPAREU, que final de semana foi esse"?? Então pau no cú da resenha, o que segue é a descrição resumida de um felizardo que viu 3 shows de 2 de suas bandas preferidas no mesmo final de semana!

Sexta Feira: SOCIAL DISTORTION (Circo Voador)
"não dormi direito essa noite", "foi foda trabalhar hoje" entre outras expressões que denotavam ansiedade eram muito escutadas na porta do circo vador Sexta Feira. Estranho é serem ditas por senhores balzacos na casa dos trinta e tantos, que pareciam adolescentes a espera da banda que tanto sonharam. É míseros mortais, Mike Ness daria as caras na cidade pela primeira vez, e eu confesso: fui um dos balzacos que penei de ansiedade como os acima descritos.

Circo cheio-pero-non-lotado e o CARBONA abre os trabalhos com um show curto e eficiente. Orgulho dos meninos.

Meia noite em ponto, luz apaga e uma musica de intro começa a tocar nos alto falantes. E, moleque, quando Mike Ness entra e começa a introdução de "under my thumb", na versão do "white light...", eu marejei! (pausa pra pieguice).


A sequencia com "bye, bye, baby", "bad Luck" e"Don't drag me down" literalmente colocou a casa abaixo. Cara, o set foi curto - cerca de 20 musicass incluind os 2 bis - mas na medida certa pra vermos in loco que Mike Ness é um dos maiores frotnmans do rock ever, que o Jonnhy é um guitarrista foda e que a banda ainda tem lenha pra queimar, como ficou provado com a belíssima "still alive", musica que estará no proximo disco e que eles tocaram no primeiro bis junto com "making believe" (marejei de novo). E ver Mike penteando o cabelo entre as musicas ou perguntando se " aqui é a lavanderia" quando tacaram a terceira camisa no palco, foi impagável !


Final do show com a dobradinha "prision Bound" e "ring of fire" e uma penca de senhores barrigudos e carecas ou de cabelos brancos saindo do circo vador como adolescentes que ganharam um beijo da menina mais bonita da escola. E eu era um deles!

Sábado: SOCIAL DISTORTION (Via Funchal - SP)
No vôo pra SP um cara me vê com a camisa do Social e pergunta se eu havia ido ao show no circo. E me conta que foi ao Rio ver, mesmo sendo de SP e indo naquela noite ver lá. E isso me fez sentir menos doente por estar indo repetir o encontro com Mike Ness naquela noite.

SP é um lugar estranho: show marcado para as 22:00 e as 21:30 a banda de abertura já havia acabado seu show. E eu, carioca mal acostumado, saio do bar e da social com os amigos e corro desembestado pra dentro da casa de shows enorme. Lá dentro, 5.000 viciados na banda e as 22:00 em ponto, com a mesma intro do Rio, o Social Distortion entra no palco.

E a mesma catarse tem início: gente chorando, cantando TODAS as musicas junto, pogando insanamente. Punk rock na essência.


O set list foi exatamente o mesmo do Rio, com uma mudança: "Cold Feelings" (que eles tocaram no bis e eu, de novo, marejei) no lugar de "highway 101". Nem precisa falar que foi lindo, um sonho, perfeito! Até a piadinha populista de Mike Ness com os paulistanos sôou bem humorada e engraçada: "Rio ontem foi legal (e faz um sinal de mais ou menos com a mão)...mas SP é Cool". Me caguei de rir. Mas, de ato, a paulistada encheu a casa e fez bonito também. Você vê o final do show com "ring of fire" aqui.

O final do show a cena era idêntica a do Rio: gente feliz, com cara de sonho realizado. E eu e uns amigos fomos procurar um bar pra beber, porque depois de um show desses é impossível dormir direto. Inesquecível!


Domingo - AGENT ORANGE (Rock'n'Drinks)

Perfeito é uma palavra dificil: descreve o que não tem falhas, o que é irrepreensível, o que não apresenta contestação. Pois Perfeito é a palavra que se aplica ao show - ou teria sido um sonho ? - do AGENT ORANGE na Rock'n'Drinks de Copacabana.


Casa cheia, set list perfeito (eles tocaram absolutamente TUDO que vc gostaria de ouvir), público insano e, ao mesmo tempo, com aquele clima de brodagem, de camaradagem, levantando uns aos outros para os mosh pits ou abraçados cantando juntos as musicas. Som bom e uma banda mais que afiada, impecavel. a animação de Mike Palm e cia, do alto de seus 48 anos, é de matar de inveja bandas adolescentes. E a tranquilidade com que todos da banda trocaram idéia, tiraram fotos, e ainda guardaram eles mesmos seus equipos, é inspiradora.


Da abertura do show com "Pipeline" (quando Mike me dá sua palheta ao final da musica) e "Tearing me apart", passando por todos os clássicos e o fechamento com "bloodstains" (com um pogo que quase destrói a casa) e "last goodbye", passando pela emocionante dedicatória feita por Mike Palm ao presidente da Polônia (que teria sido punk na juventude) morto em um acidente de avião recentemente em "too young to die", a coisa toda rolou com sintonia e alegria.

O Agent Orange é uma das bandas que mais amo na vida e ter participado da produção, ter inicado os contatos do show e tornado possível que a Rock'n'Drinks realizasse a coisa toda foi inesquecível!
E ouvir da boca de Mike Palm um "obrigado pelo show" ao final...não tem preço!
Muito obrigado a todos que foram, lotaram a casa e mostraram que o Rio segue com uma cena viva, ativa!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Hardcore-crossover-academy-fight-song


O NITROMINDS, uma das instituições do hardcore brazuca sempre foi uma banda que fez o seu trabalho de maneira independente, com qualidade e originalidade - coisa rara no meio HC. Com bons serviços prestados a musica pesada em quase duas décadas de banda e mais de 4 tours européias nas costas, eles lançam outro disco que faz jus a tradição da banda: um tributo às bandas que os influenciaram ao longo destes anos - coisa que outras bandas de fora já fizeram, mas que poucas pr aqui já haviam tentado (alguem lembra outra alem deles e do RDP com o "Feijoada acidente"?)

"Kill'emo'all" é um CD com todo o capricho na produção e sonoridade característicos do Nitrominds, mas com um diferencial: TODO disponivel para download free - é, os caras seguem dando a cara a tapa,um passo a frente na "cena" HC.

A seleção é de fazer babar qualquer fã de HC e Crossover e uma verdadeira "aula" de musica pesada, uma "academy-fight-song", plagiando os ícones Down By Law.

Tem covers óbvias para quem conhece a banda, como Bad Religion, Pennywise, Down By Law, Bambix, Agent Orange e 7 Seconds e outras nem tanto, como Police, Sacred Reiche Terrorgroup. E a cada canção que rola no player, a vontade de quebrar tudo fica mais forte, tamanha a intensidade com que a banda executa cada acorde, cada musica.

Dificil destacar essa ou aquela musica, mas fiquei de cara com "News from the front" (bad religion), "kill yourself" (Stormotoompers of death, ou simplesmente SOD) e "Something I learned Today" do simplesmente perfeito Husker Dü.

O Nitrominds presta um tributo a sua história e um serviço às novas gerações com esse CD, que alegrou e muito a vida deste balzaquiano em dias de tristes momentos na cidade maravilhosa.

Voce pode baixar o disco todo (inclusive capa e flyer) aqui:

sexta-feira, 19 de março de 2010

20 anos de uma relação pessoal


indie.punk.pop volta de uma breve hibernação para celebrar o grande momento do ano, que está chegando. Mortais imundos, dia 16 de Abril Mike Ness & cia estarão entre nós para tocar os clássicos que embalaram uma geração de punk rockers anos a fio.

Já se vão 20 anos quando peguei emprestado uma fitinha cassete (é, daquelas basf de 60 minutos) que tinha em uma lado o "bedtime for democracy" do Dead Kennedys e do outro o "Prision bounds" do SOCIAL DISTORTION.

Amor a primeira vista, dali em diante Mike Ness e cia me acompanharam em boa parte da vida. Quando estrei na faculdade escutei pela primeira vez o "Somewhere between heaven and hell"; de um amigo de bar da UFF ganhei uma fita cassete com o "Social distortion", de 1990. De uma ex-namorada, o CD "mommys little monster".

Já me formando, naquele momento em que tudo à sua frente cheira a incerteza e transição, comprei o CD "White Light, White Heat, White Trash", e "I was Wrong" era tudo que eu precisava ouvir pra repensar a vida naquele momento. Assim como "dear lover" rolou no CD player por muitas e muitas noites de solteiro regadas a Black Label, no quarto da casa.

Já casado, em uma viagem a SP com minha amada compro o "sex, love and rock'n'roll", e tenho a sensação que "reach for the sky" foi escrita por mim - e fico com uma raiva desgraçada do Mike por ter "roubado" minha letra, de tão pessoal que soava.

E por todos estes anos eu ficava imaginando como seria um show do Social Distortion - sensação parcialmente contemplada com o DVD "Live in Orange County" e com o video "Another state of mind". Mas quando saiu a notícia de que a tour deles pela America do Sul, de fato, rolaria, me dei conta de que nunca esperei tanto pra ver uma banda ao vivo. Eu vi RAMONES quando conhecia-os ha uns 4 anos. Esperei 7 anos pra ver o Bad Religion, menos de 2 anos pra ver o NEW MODEL ARMY e mais de uma década pra ver os PIXIES na minha frente. Mas nunca pensei que, depois disso tudo, ainda ficaria ansioso para ver uma banda ao vivo como estou para estes dois dias, 16 no Rio e 17 em SP.

E, como eu, acredito, toda uma geração de punk rockers que cresceu ouvindo Mike Ness cantar as musicas de nossa geração.