domingo, 15 de maio de 2011

Superchunk - Virada Cultural do Estado de SP - 14 de Maio 2011 (Mogi das Cruzes)




E lá vamos nós descrever a saga que indie.punk.pop enfrentou pra ver a ______________(coloque aqui seu adjetivo) banda do mundo, o SUPERCHUNK.

O show seria dentro da Virada Cultural do Estado de SP. E até o show, foi aquilo: Sair do Rio, chegar em SP, dar um rolê, encarar uma hora e tal de trem da estação Luz até a cidade de Mogi, estação final. Conheci no trem um casal gente fina, que se tornariam grandes companheiros de noite (Valeu Tony e Dani!) , que me levaram até o pico onde seria realizado o show - e onde uma galera de amigos do Rio já estava também.

O lugar era uma grande avenida, atras de uma Universidade e próximo à estação de trem, com o palco ao fundo. Clima de quermesse saca, crianças, garotada "paquerando" e barraquinhas que vendiam comidinhas e bebidas. Uma quantidade bastante razoável de banheiros quimicos (não enfrentei fila hora nenhuma), limpos e bem cuidados e muito policiamento. Organização ok.

Fazia frio em Mogi. MUITO frio. Chegam mais amigs cariocas e comentamos que, pela quantidade de gente do Rio lá, o show deveria ter sido na vidada daqui. Mas na vida nem tudo é perfeito e SP deu banho de organização!

Ficamos de longe escutando o show do Porcas Borboletas, que não impressiona. Quando este acaba, nos direcionamos para perto do palco. A estrutura parece bem bacana e o som está bom. E 5 minutos antes da hora marcada, as 23:55, um locutor estilo radio AM anuncia "o som internacional do SUPERCHUNK" e, em seguida Mac, Jim, Laura e Jon sobem ao palco para executar uma das performaces de palco mais arrebatadoras que este escriba já viu. Entusiasmo de meninos, técnica de veteranos e um punhado de hits "indie", e pronto: o SUPERCHUNK entrou com o jogo ganho!




Da abertura com "Throwing Things" e "Hello Hawk", passando por clássicos "superchunkianos" como "Cast iron", "Slack Motherfucker", "Like a Fool" (quase chorei), "Skip Steps 1 & 3", até as musicas do mais recente album da banda, "Majesty Shredding", como a fantástica "Learned to surf", "Crossed Wires", "Rosemarie", o Superchunk esbanjou disposição, precisão e simpatia. Era clara a animação de todos e um sorridente Mac agradecia e falava que estavam com saudades pois faziam mais de 10 anos que não tocavam no Brasil.

Ao final, a linda "Everything At Once" encerra o show. Mas calma, apesar do frio, o povo esquentou a noite de lua clara e não deixou a banda ir embora. E tome "Hyper Enough" e mais um bis até o grand finale com a clássica "Precision auto". E fim. Eles ficam no palco acenando e agradecendo.

E não tem o que agradecer. O prazer foi todo nosso. E lá vamos nos pela noite fria de Mogi beber um trago para rememorar um show que jamais será esquecido, enquanto esperamos o primeiro trem da manhã de volta pra capital!
Inesquecível!



Set List:

01 Throwing Things
02 My Gap Feels Weird
03 A New Low
04 Detroit Has a Skyline Too
05 Rosemarie
06 Animated Planes Over Germany
07 Like a Fool
08 Hello Hawk
09 Learned to Surf
10 Cast Iron
11 Diggin' for Something
12 Slack Motherfucker
13 Skip Steps 1 & 3
13 Everything at Once
Bis 1:
14 Crossed Wires
15 Seed Toss
16 Hyper Enough
Bis 2:
17 Precision Auto

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Teenage Fanclub - Circo Voador (Rio de Janeiro). 12/05/2011



Em um mundo dominado pela dureza e pelo concreto, pelas relações ásperas e pelo tom de dominação, apreciar a delicadeza as vezes é necessário. A arte tem uma função na vida de todos, mas para alguns ela é mais que puro entretenimento, ela constrói sentido, configura relações, estabelece conexões.

E em um mundo como esse, assistir a um show do Teenage Fanclub reconstitui o sentido de gentileza, de delicadeza, de musica enquanto verbo, enunciado coletivamente.



Da abertura com "Start again", passando por clássicos assobiáveis e melodiosos como "it's all in my mind", "Star sign", "I don't want to control of you", "The concept", até o grand finale com "Radio" e "Everything Flows", Norman Blake, Gerard Love, Raymond McGinley e Francis MacDonald nos brindaram com um espetáculo que reafirmou a capacidade do rock de agregar - amigos, sensações, emoções.

Assistir um show destes em Circo Voador lotado e com toda sua atmosfera "comunitária", abraçado a vários amigos, só torna a experiência ainda mais reconfortante, como colo de mãe e carinho de mulher amada.

Já havia assistido ao Teenage Fanclub em 2004, em Curitiba. Mas o show de ontem, no Circo Voador, foi algo além da musica, além do espetaculo. Foi um turbilhão de sensações que fez desta uma das melhores noites dos ultimos tempos. E provou que mesmo ficando velhos a cada dia, algumas coisas não mudam - ou não notamos sua mudança. Uma delas é o amor pela musica que se renova a cada show deste.

Teenage Fanclub, show do ano?

SET LIST:

  1. "Start again"
  2. "Sometimes I don't need to believe in anything"
  3. "The past"
  4. "It's all in my mind"
  5. "Don't look back"
  6. "Baby Lee"
  7. "About you"
  8. "Star sign"
  9. "I don't want control of you"
  10. "I need direction"
  11. "What you do to me"
  12. "Alcoholiday"
  13. "Your love is the place where I come from"
  14. "Ain't that enough"
  15. "When I still have thee"
  16. "Sparky's dream"
  17. "The concept"
Bis
  1. "Today never ends"
  2. "He'd be diamond"
  3. "Radio"
  4. "Everything flows"



segunda-feira, 9 de maio de 2011

O "indie" ontem e hoje (ou "como as pessoas conheciam musica "alternativa" antes da internet")


A primeira vez que ouvi este termo "indie" foi lá pelo final dos 80's. A revista Bizz tinha uma seção de "top 10 da semana" que era dividida entre "majors" e "Independentes". a grande maioria dos independentes eram bandas inglesas que não gravavam - ou ainda não haviam assinado - com gravadoras majors. Já ligado na parada de "ser do contra" eu tentava conhecer minimamente estas bandas. Foi assim que cheguei à bandas como JESUS AND MARY CHAIN, ECHO AND THE BUNNYMEN e, pasnmem, THE SMITHS (que já tocava na Fluminense FM). Este "correr atrás" significava literalmente perguntar pros amigos se alguem conhecia a banda, se tinha uma fita cassete gravada e...regravar a partir daquela.

Pausa pra explicação:
Existia uma coisa chamada "fita cassete". E alguns aprelhos de som mais "modernos" pra época tinha o chamado "Double deck": dois toca cassetes. Em um você colocava a fita original, a que você queria copiar. No outro, colocava a Fita "virgem", a que seria gravada. E clicava "play" em um e "record" em outro. Simples assim.

voltando...
Já no inicio dos 90's, o termo "indie" voltou com força por causa de uma bandinha de Seattle. Sim, você sabe qual. Antes de estourar com o Nevermind, o Nirvana fazia algum sucesso nas college-radios americanas (as radios de universidades, que só tocavam bandas independentes que, via de regra, enviavam suas fitas demo para estas radios). Por conta disto você pode ver camisas do Nirvana, por exemplo, no clip de "dirty Boots", do SONIC YOUTH, de 1990, antes deles terem lançado o bendito "Nevermind". O termo "indie" neste momento "histórico" denominava todas aquelas bandas dentro do rock que não eram grandes, que faziam rock barulhento ou "esquisito" e que não eram nem Metal nem Punk/ Hardcore. Qualquer bandas com um pedal de distorção desconhecida era denominada de "indie" ou "college".

Bem, desta forma, no incio dos 90's o tal "indie" voltava à tona como sinônimo de "subterrâneo frutífero". As pessoas descobriram que haviam milhares de bandas em garagens e estudios mundo afora que faziam seu som e gravavam por canais fora do esquemão grande gravadora. E muito, mas MUUITO moleque mundo afora re-descobriu o sentido do DIY (do-it-yourself) a partir daí. Ou seja, a segunda leva.

No Brasil, dois programas de radio e um de TV eram "obrigatórios" para a turma que curtia as tais bandas indie: no dial, o "Hell radio", na Fluminense Fm (um dia a Flu - vulgo Maldita - merece um capitulo em Indie-punk-pop) era apresentado por Andre X (baixista da Plebe Rude) e Tom Leão (colunista do jornal O Globo). Através dele, entrávamos em contato com as bandas que "bombavam" no circuito "indie-college" do norte. No "Hell Radio" ouvi pela primeira vez L7, Melvins, TEENAGE FANCLUB, entre outras.

O outro programa de radio era o "College radio", capitaneado por Dodô (hoje DJ no Rio de Janeiro) e Rodrigo Lariú (do selo Midsummer Madness). Eu e uns amigos chamávamos o programa de "programa do Dinosaur Jr". Isto porque eles tocavam a banda de J. Mascis programa sim, programa também. Mas foi ali que ouvi pela primeira vez Yo La tengo, Superchunk e toda aquela turma da Matador records.

Na TV, a MTV tinha, aos Domingos, meia noite, o famoso "Lado B". O "reverendo" Fabio Massari passava clipes de todas aquelas bandas que, de tão obscuras, eram desconhecidas até em guetos de New York ou Londres. O "lado B" era a fonte para vermos bandas como Velocity Girl, Bufallo Tom, Jon Spencer Blues Explosion. Indie pride!

Para conseguir um disco ou fita cassete da bendita banda, era um suadouro de sangue: torcer pra um amigo com grana viajar e trazer o bendito CD, pra alguem da faculdade copiar ou, já no meio dos 90's, ir à uma "locadora de CD's" (como a Spider, em Ipanema) e alugar o CD da banda, copia-lo em fita cassete e ficar um mês inteiro escutando até a fita estragar.

Lembrei disso esta semana, em que dois dos maiores ícones desta "cena" dos 80's e 90's dão as caras no Brasil - Teenage Fanclub & SUPERCHUNK. Porque o "indie", que antes era independente, sinônimo de subterrâneo, de alternativo (outro termo pra lá de usado na época) hoje é acessível ao toque de um clique. Temos Last FM, Soulseek e afins que, em 30 segundos nos conectam a bandas dos subúrbios de Glasgow ou de cidades da Malásia.

Mas e daí? Do que você gosta? O que cada banda desta fez - ou faz - de diferença em sua vida? Que momentos ela te lembra? O caráter de instantaneidade da musica hoje diluiu o alternativo e
subtraiu o apego à musica e à banda. Ou não. Mas mudou a forma como acessamos e nos relacionamos com a musica. E isto por si só e digno de análise.

E eu até hoje lembro de quando meu brother Luciano me emprestou um CD do Teenage Fanclub. E o gosto era o mesmo de conhecer a garota mais bonita do mundo. Sabor, gosto, sensação que, hoje em dia, eu quase nunca mais sinto ao "descobrir" uma banda.