quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dinosaur Jr (Comitê Club – SP – 29/09/2010)


Noite fria na Rua Augusta. Muita gente nos bares. Andamos da Av. Paulista um bom pedaço até chegar em frente a uma aglomeração na altura do numero 600. Era a porta do Comitê club, casa meio "nova" do circuito paulistano e que naquela noite receberia em seu palco ninguém mais ninguém menos que o Dinosaur Jr.

Maluco, DINOSAUR JR, sacou? Tu gosta de Nirvana? Curte Smashing Pumpkins? Curte rock independente em geral? Pois é isso, o rock independente – conhecido como “indie rock” – deve às calças e cuecas à banda liderada por J. Mascis. Desde os anos 80 eles, o Sonic Youth e os Pixies formam a santíssima trindade do rock independente mundial, dando as cartas, influenciando zilhões de bandas e consolidando um estilo de guitarras distorcidas, vocais limpos e melodias marcantes. Por isso a simples presença do Dinosaur Jr em terras brasilis suscitou tanto alarde, tanta movimentação na cena independente.

O bar ao lado do Comitê Club parecia boteco do Rio, tantas eram as caras cariocas conhecidas circulando por ali. Todos ansiosos pela parede de guitarras de J. Mascis que veio muito bem acompanhado por Low Barlow (o frontman de outra banda seminal do indie americano dos 90’s, o SEBADOH) no baixo.

Show marcado para as 23:00 e, quando entramos, o primeiro susto: a casa é pequena. Lembra o antigo Ballroom, aqui no Rio, mas com um tamanho de Teatro Odisséia. E já está abarrotada de gente. Tomamos umas cervas e nos posicionamos à esquerda do palco, estrategicamente em frente à parede de amplificadores Marshall que seriam a máquina de moer tímpanos de Mascis naquela noite – 6 amplis perfilados e mais dois de retorno! O palco baixo aumenta a ansiedade pela proximidade com a banda. A discotecagem só com clássicos do indie dos 90's vai pondo mais lenha na fogueira. E tome Sugar, Eugenius, Le Tigre e Teenage Fanclub nos alto falantes!

E perto da meia noite, luzes apagadas, o Dinosaur Jr entra no palco. E daqui pra frente eu não posso mais “resenhar” nada, porque a pista do Comitê se tornou um liquidificador e eu não anotei porra nenhuma, só me acabei junto ao mar de viciados ensandecidos pela parede de guitarras distorcidas que Mascis despejava sobre nós. Sei que rolaram, entre outras, “In the Jar”, “The wagon”, “Feel the pain” e “Over it” em sequência, além de surpresas como “Repulsion” e "Raisans". A presença de palco de Low Barlow é absolutamente sufocante, o maluco agita pracas – apesar de umas paradas chatas para afinar o baixo e ajustar os volumes.


Mascis é fantástico: toca e canta com uma simplicidade e precisão que me envergonha de ser - ou tentar ser - guitarrista. Seus solos distorcidos são absolutamente claros e precisos, seu set de pedais é impressionantemente variado e o cara abusa dos wha-whas e fuzz. Fico completamente hipnotizado em “Pieces” com seus solos em meio às projeções de luzes ao fundo do palco. Mascis não dirige uma palavra ao público durante o show. Apenas um ou outro "thanks" após uma ou outra música. E nem precisava.

Após uma hora e meia de detonação o bis chega, com a famosa cover de “Just like heaven” do Cure. Final de show, um mar de gente suada e feliz e nós saímos voando pra rodoviária, com um zumbido no ouvido que ficou até agora. Inesquecível!



Set list:
  • The Lung
  • Repulsion
  • In a Jar
  • Imagination Blind
  • Get Me
  • Pieces
  • Out There
  • Feel the Pain
  • Over It
  • Raisans
  • Back to Your Heart
  • The Wagon
  • Freak Scene
  • Gargoyle
  • Just Like Heaven

domingo, 26 de setembro de 2010

Os discos da semana (alguns, do mês, alguns do ano)

Finais de semana são sempre bons momentos para fazermos um review da semana. E esta não foi uma semana qualquer. Nela pude ouvir com calma os novos trabalhos de 4 das bandas prediletas deste blog. Cada um a sua maneira me trouxe emoções diferentes.



Bad Religion - "The dissent of man"
Ouvir um disco novo do BR é como voltar de férias a uma cidade em que você já esteve e amou. Ou seja, você já sabe o que vai ver (ouvir), já conhece bem, mas sempre espera alguma novidade. Sejam elas boas, ruins ou apenas...novidades.

Neste caso, a novidade é que em "The dissent of man" o Bad Religion dá uma clara desacelerada na pegada. Apesar da maravilhosa "The Day That the Earth Stalled" começar à mil seguida de "only rain" - dois típicos hardcores acelerados e melódicos que fizeram da banda os ícones do gênero - daí em diante Greg Graffin e asseclas pisam no freio e apresentam belas e molodiosas canções mais pendentes para o punk-country que o hardcore. E isso em nada diminui o album, apenas nos apresenta uma faceta mais "roqueira" da banda. As letras de Graffin seguem sendo o ponto alto do Bad Religion, como nas maravilhosas "Where the fun is" e "Wrong way kids". No final das contas, é Bad Religion, é sempre bom - mesmo que de um jeito diferente.



Weezer - "Hurley"
O Weezer é o tipo de banda que poderia perfeitamente se enquadrar na descrição do primeiro parágrafo do Bad Religion, ou seja: ouvir um disco novo deles é meio que descobrir o que já se espera. Neste caso, a diferença é que "Hurley" é um disco muito melhor que os irregulares "red album" e "Ratitude", trabalhos anteriores de Rivers Cuomos e cia. A banda apostou em fazer um álbum bem homogêneo, na velha receita "power pop", com musicas assobiáveis em meio a guitarras ditorcidas, que fizeram o sucesso do =W= mundo afora. Entretanto, na terceira ou quarta audição, você se dá conta que é homogêneo demais. Todas as canções são legaizinhas, bonitinhas, mas falta alguma que te pegue pelos ouvidos, falta alguma que tenha um "quê" a mais, falta um hit. E "Hurley" é isso, um disco legal, com boas canções, mas nenhuma que te faça arregalar os olhos e dar repeat no mp3. E pensando bem, desde o "Green album" que o Weezer vem fazendo isso. Para os fãs, uma sensação que o Weezer ao menos está dando sinais de recuperação. Mas ainda muito longe da criatividade dos tempos de "Pinkerton".



Arcade Fire - "The Suburbs"
Infelizmente eu não estava no antológico show do Arcade Fire no Tim Festival de 2005. Este é um ressentimento constante que tenho ao ouvir os canadenses, desde os tempos do maravilhoso álbum "Funeral" de 2004. A sutileza e força do Arcade Fire ganham cada vez mais adeptos mundo afora, como pude comprovar em Paris, onde os caras estampavam outdoors por todas as estações de metrô da cidade, com matérias de revistas sobre o novo album da banda. E "The suburbs" não deixou nada, absolutamente nada a dever.

O Arcade Fire passou com ressalvas pelo famoso "teste do segundo album" (com o mediano "neon bible" de 2007), mas chegou a sua terceira gravação apresentando ao mundo um dos melhores discos do ano. "The Suburbs", ao contrário de "Hurley" do Weezer (citado acima) é um conjunto de pérolas, de músicas cuidadosamente trabalhadas em cada detalhe, em cada textura. A cada audição, você descobre um novo arranjo, um novo verso e consequentemente o disco se reinventa a cada vez que você escuta. Da primorosa faixa título passando pela perfeita "Ready to start" e "hall light", o Arcade Fire apresenta um dos discos mais agridoces do ano, suave e pesado ao mesmo tempo. A quantidade de informação de cada música e a simplicidade com que são construídas fazem de "The suburbs" desde já um dos mais fortes concorrentes a disco do ano. Entretanto, a concorrência é forte...



Superchunk - "Majesty Shredding"
Em um mundo de hypes duvidosos e "bandas-da-década-da-semana", poucos conseguem atravessar anos e décadas sem perder um pingo da integridade e qualidade musicais. O Superchunk, favoritísimo da casa é uma destas raras exceções. Formada no inicio dos 90's, o quarteto vêm brindando os fãs anos a fio com canções maravilhosas e álbuns perfeitos. Quem os viu pelo Brasil em suas duas tournées (1998 e 2000) sabe bem do que eu falo. E depois de um hiato de 6 anos sem nenhum lançamento, eis que nossos heróis retornam com o espetacular "Majesty Shredding", desde já o disco do ano para indie.punk.pop

O Superchunk consegue como ninguem absorver a pegada e o punch do punk e associa-lo a riffs melodiosos de guitarra. Consegue como ninguem conectar melodia e peso, lirismo e simplicidade fazendo cada música soar única, mesmo que você a escute pela milesima vez. Neste novo álbum eles ressurgem dispostos a mostrar ao mundo que no meio indie (ou guitar, como eram chamados nos 90's), eles dão as cartas. O cartão de visitas que abre o disco é a linda "Digging For Something", que além de ter um refrão que gruda por semanas na cabeça, ainda tem o clip mais legal dos ultimos anos (que você pode assitir aqui). Em seguida, "My Gap Feels Weird" e "Rosemarie" fecham a primeira parte do dsico com mais melodia que peso. A já conhecida, do ano passado, "Crossed Wires" (de um dos 2 Ep's lançados pela banda em 2009) dá sequência ao desfile de hits que chega ao ápice com a também conhecida e candidata a hit da década "Learned To Surf".

"Majesty Shredding" é daqueles discos completos, que voce não pula nenhuma faixa. E encerra com uma das mais belas canções melancólicas da banda, a linda "Everything At Once", deixando um gosto de quero mais que faz com que o disco fique no "repeat" do mp3 a semana toda. O Superchunk supreendeu mais uma vez com a simplicidade, beleza e peso que só as grandes bandas conseguem ter. Nota 10!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

New Model Army (Citybank Hall - São Paulo). 18/07/10



Poucas bandas no mundo de hoje ainda têm algo a dizer. Escrevi isso ha 3 anos, quando o New Model Army tocou pela última vez no Brasil. E tive a oportunidade de reafirmar esta máxima, Sábado passado, enquanto saía do show dos ingleses em São Paulo rumo à rodoviária para uma volta pra casa cansada e feliz. Sim infiéis, Justin Sullivan e asseclas estiveram mais uma vez entre nós no último final de semana.

O New Model Army, uma banda rock/ folk que é amada entre punks, headbangers e rockeiros em geral está completando 30 anos de carreira e em comemoração fazendo uma tour em que tocam musicas de todos os seus albuns. Em SP foram dois shows, Sexta e Sábado. E indie.punk.pop esteve Sábado conferindo a performace dos ingleses.

O Citybank Hall é uma boa casa, com infra legal e uma disposição retangular interessante, que faz com que, apesar do tamanho, você fique sempre perto do palco. O público era basicamente formado por balzaquianos (como este escriba), daqueles que saem de casa para raros shows - uma galera que fica mais exigente a medida que os cabelos brancos começam a abundar - ou rarear. No bar antes do show, o papo com amigos paulistanos era animado, como o pessoal do excelente blog Minerva Pop (nos favoritos aqui ao lado).

Entramos na casa e as 22:15 Justin Sullivan sobe ao palco com seu violão acompanhado do tecladista Dean White na guitarra, e os primeiros acordes de "Heroes" dão o pontapé inicial na primeira fase do show - acústica. O som é perfeito e a presença de palco de Sullivan é sufocante. Ele conversa entre as musicas e é acompanhado em boa parte delas pelo público altamente conhecedor do repertório da banda.


Seguem "No pain", "Another imperial day" e a primeira parte encerra com "Modern times", já com a banda no palco. Eles se despedem para um intervalo de 20 minutos e só esta primeira parte já me levou ao êxtase. Uma volta e uma cerveja gelada (por extorsivos R$ 7,00!!) e logo estamos de volta à frente do palco.

E veio a segunda parte do show e a banda entra atacando com "Island" e o público, lentamente, começa a esquentar as coisas. E "The Hunt" era a centelha de pólvora que faltava para incendiar o show. Daí pra frente foi festa pura, com Sullivan cada vez mais possuído e comunicativo e a banda mais afiada que nunca. E tome "Vagabonds", "Here comes the war", "Purity" (marejei, confesso...) e "no rest" encerrando o show. Mas ninguem arredava pé e eles voltam rapidamente para o bis. E que bis! Encerram o show com a dobradinha "225" e "I love the World", esgotando com a ultima dose de energia deste balzaco.

Feliz como virgem em puteiro, saio pela noite fria de SP de volta ao balneário, com a convicção de que vi um dos shows do ano, feito por uma das bandas da minha vida. Como aliás, havia avisado um amigo que encontrei na porta do Citybank Hall antes do show...este da foto abaixo.


PS: Thanks à Silvia pelas fotos

Set list
Acustico
Heroes
Snelsmore Wood
No Pain
Another Imperial Day
You Weren't There
Lovesongs
The Attack
Modern Times
Ocean Rising

Plugado
Island
Christian Militia
Long Goodbye
Falling
One Of The Chosen
Carlisle Road
The Hunt
Red Earth
Get Me Out
Vagabonds
Knife
Autumn
Here Comes The War
Purity
No Rest
Marrakesh
Wired
225
I Love The World